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(Pe. Raniero Cantalamessa)

“A fecundidade da virgem é de natureza esponsal. Os filhos são gerados pela união com um esposo. A virgem, vivendo “unida ao Senhor sem distrações”, como dirá São Paulo, dá à luz filhos para Cristo.

Quando nós, sacerdotes, encontramos almas que não conseguimos reconduzir sozinhos à luz, porque estão por demais atoladas no mal, a quem recorremos? Vamos bater á porta de algum convento de clausura e as confiamos a uma esposa de Cristo. Assim muitas vezes assistimos ao milagre de uma ressurreição, ainda que jamais saibamos – somente Deus o sabe – quanto custou. Um dia, quando essas virgens puserem os pés na Jerusalém Celeste e encontrarem esses filhos que nem sabiam ter, também elas haverão de exclamar cheias de espanto como a virgem de Sião: Quem me deu à luz estes filhos? Eu não tinha filhos e era estéril... quem então os criou? (Is 49, 21)

A fecundidade da monja enclausurada depende do fato de ela diretamente, com o coração, o amor silencioso, a fé e a esperança agir diretamente sobre a causa primeira, sobre Deus, e não sobre as causas segundas. E é o Esposo que distribui seus frutos aos amigos. Com a esposa do Cântico ela diz a Cristo: “Todos os meus frutos melhores, meu Amado, para ti os reservei” (Ct 7, 14). E o Esposo diz: “Vou ao meu jardim, minha irmã e minha noiva, colher mirra e bálsamo; depois, dirigindo-se aos pecadores, diz: “Amigos, comei, bebei e embriagai-vos!” (Ct 5, 1).

A esposa não quer saber para quem vão os frutos de seu orar e de seu sofrer; pertencem ao Esposo que os dá a quem Ele quer! Os outros devem preocupar-se com a situação e a administração; ela não! Na verdade o Senhor “instala no lar a mulher estéril, como ditosa mãe de família!” (Sl 113, 9).