
Mais de quatro séculos passaram desde a noite de 04 de outubro de 1582 em que santa Teresa, caiu, atravessada pela seta do divino Amor, como uma flor que pende para o lado onde é cortada... Desde então até hoje, a humanidade não se tem cansado de admirar e louvar essa virgem, honra da Espanha, glória do Carmelo, objeto das complacências maternais da santa Igreja.
Ainda hoje santa Teresa de Jesus parece exercer um maravilhoso poder de atração, essa fascinação que em vida lhe avassalava os corações e as vontades. Sem distinção de crenças, de nações, de classes sociais e de cultura, quem conhece a santa Teresa não poderá deixar de admirá-la...
A santa Igreja, sempre guiada pelo Espírito Santo, diz na antífona da Entrada da Missa da santa:
“Deu-lhe o Senhor a sabedoria e uma prudência extraordinariamente grande, um coração tão vasto como a extensão da areia que cobre as praias do mar”.
“Consideremos nossa alma como um castelo, feito de um só diamante ou limpidíssimo cristal. Neste castelo existem muitos aposentos, assim como no Céu há muitas moradas. Se refletirmos bem veremos que a alma do justo é nada menos que um Paraíso, onde o Senhor, como Ele mesmo diz, encontra suas delícias. Nada posso imaginar comparável à beleza de uma alma e sua imensa capacidade. Por agudas que sejam, as nossas inteligências não chegam a compreendê-la verdadeiramente, assim como não compreendemos a Deus. Ele próprio diz ter criado à Sua imagem e semelhança. Entre a alma e Deus, existe a diferença que vai da criatura ao Criador. Em suma, é coisa criada. Mas basta Sua Majestade afirmar que a fez à Sua imagem, para termos uma longínqua ideia da grande dignidade e beleza da alma. (Castelo Interior, 1ª morada).
“Teresa, luz admirável, na virtude refulgiu.
D’alma, os secretos mistérios, como mestra descobriu.
Desposada à luz do Pai e no Amado repousando,
À moção do Santo Espírito, voz do Céu, vai escutando.
Dardo em chama a transverbera; purifica-a um Serafim.
Alma feliz, abre as portas do teu místico jardim!
De amor divino impregnada, arrebatou-a Jesus,
Para o caminho a acertado trilharmos, também, na luz.
Ó Una e Trina Verdade, tendo Teresa por guia,
Possamos por seus caminhos, louvar-vos no eterno dia.
