Mensagem Natal 2025

Natal. Deus se manifesta em Jesus que nasce. Mas a grande pergunta é: como podemos reconhecer isso? Como é que se reconhece a passagem de Deus pela nossa história? Como é que podemos reconhecer a sua manifestação no cotidiano da vida? Com qual gramática, de que forma ou com que mestre podemos reconhecer a fantástica presença de Deus? Porque Ele está. É isso que o Natal celebra. Deus está. Fez-se vizinho, fez-se próximo da nossa carne. A nós é que falta a capacidade para reconhecer Deus na nossa história.

O NATAL DEVE IMPREGNAR-NOS DO PERFUME DA VIDA RECÉM NASCIDA.

O Natal nos torna cúmplices da fé no nascer. O Natal nos pede para acreditarmos na potencialidade que tem a vida frágil, a vida extrema, a vida na sua condição mais frágil, bem pequena.

Por que é que estamos aqui ao redor do Presépio? O que é que nos reúne uns aos outros nesta roda de crianças eternas, junto da Criança Divina que nasce? A única razão, válida, para estarmos aqui é esta: Precisamos de um Salvador.

Não recorra ao que já se sabe sobre o Natal, mas coloca o seu coração no compasso de espera daquilo que de repente em nosso coração possa ser revelado. Não reduza o Natal ao formato dos símbolos, das luzes artificiais que se multiplicam nestes dias, que tornam uma pedrinha somente sem lugar no concreto da vida.

O presépio somos nós. E a grande pergunta é: como podemos reconhecer isso?

Como é que se reconhece a passagem de Deus pela nossa história? Como é que podemos reconhecer a sua manifestação no cotidiano da vida? Com qual gramática, de que forma ou com que mestre podemos reconhecer a fantástica presença de Deus? Porque Ele está. É isso que o Natal celebra. Deus está. Fez-se vizinho, fez-se próximo da nossa carne. A nós é que falta a capacidade para reconhecer Deus na nossa história.

O Natal do comércio chega de um dia para outro. Fácil, brilhante, confuso, pré-fabricado. É um Natal visual. Um amontoado de símbolos. Um ar do tempo. Dentro de nós, porém, sabemos que não é assim, Senhor Jesus. Para ser verdade, o Natal não pode ser só isto. Não pode servir apenas para uma emoção social, para uma ventania de emoções, comprar e trocas. Para ser verdade, o Natal tem de ser fundo, pessoal, despojado, que nos convide a algo mais, silencioso, solidário, espiritual.
Talvez o que nos custe mais neste absurdo tráfico pré-natalino seja precisamente a constatação dolorosa e não confessada de que não sabemos ou não conseguimos dar. Ainda que as mãos se amontoem de embrulhos e pacotes, sabemos que no fundo elas estão vazias, incapazes de dar aquilo que seria realmente necessário para a reparação da vida, indiferentes ao que estão diante da verdadeira necessidade que temos. Existe uma dor mais profunda, uma ferida que brota deste confronto do quão vulneráveis e frágeis nós somos diante da vida, sobretudo quando desistimos de fazer um caminho com ela. O dom de Jesus, o dom de Deus que se faz presente em nossa vida, é mais comprometedor e mais complexo do que pensamos. Caminhemos com esse Menino Deus que está presente. Caminhemos com Aquele que é capaz de oferecer uma paz ainda hoje não conhecida e inesperada em nossa história e na história do mundo inteiro. Um Feliz caminho com a Vida verdadeira que Jesus vem nos trazer com a sua Presença. Um feliz Natal de Jesus a todos.

(Cardeal José Tolentino Mendonça)

Mensagem

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